domingo, 24 de fevereiro de 2008

Derrota

Quando crianças costumamos sonhar grandes sonhos, grandes estrelas, grandes recordações; alguns de nós envelhecemos sempre sonhando, os de sorte, eu acho. Mas quando se é velho o suficiente, sabe-se que grandes sonhos são grandemente inalcançáveis.
Temos medo de desistir, muito, tentamos evitar, até percebermos que nem sempre desistir remete à falha, pelo menos quando já sabemos que ninguém mais conta conosco, e que já não temos mais no que errar. As coisas acontecem de maneira simples. Com o tempo as pessoas somem, a cada noite de Natal alguns aparecem, poucos; depois, já não há mais ninguém. Desistir não parece algo tão cruel afinal, é apenas o último passo de um caminho cansativo, talvez o legítimo ato de bondade que podemos fazer por nós mesmos. Esforçar-se demais por um objetivo, só tende à uma consequência: cansaço.
Nestes dias de tempestades, não se pode esquivar das águas; a caixa é sempre menor do que a imaginamos. Olhando de cima, somos apenas pequenos pontos amontoados em outros pequenos pontos, sonhando na verdade em apenas não desistir, em alcançar uma estrela infinita que nunca virá.

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