Uma vez encontrei um homem velho que dizia que a vida reserva um destino cruel para cada um de nós, e aqueles que de alguma maneira viveram felizes, viveram não porque foram afortunados, mas, porque, de alguma maneira, enganaram seu próprio destino.
A Vida pode ter muitas faces, a maioria delas perversas, em que normalmente somos empurrados onde não queremos cair, mas, às vezes, precisa-se de uma grande tempestade para se abrir o dia claro.
Então o que pode proteger-nos de nosso futuro? Talves não apenas a possibilidade de sermos bons, mas de revoltar-nos. Podemos esperar sentados Deus para o jantar, ou limparmos a bagunça que fizemos no saguão de entrada; tirar o idiota do poço. A fórmula é imperfeita; a vida num só instante pode parecer morosamente longa, ou em toda sua longevidade pode ter sido curta demias, a única igualdade, no entanto, é que sempre acaba antes do que imaginávamos. Sorte daqueles que viveram felizes, que em algum momento foram ladrões e mentirosos, porque enganaram a Vida, a forma mais cruel de existência que ninguém jamais reparou; e porque assim foram deles o Reino do Senhor.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Derrota
Quando crianças costumamos sonhar grandes sonhos, grandes estrelas, grandes recordações; alguns de nós envelhecemos sempre sonhando, os de sorte, eu acho. Mas quando se é velho o suficiente, sabe-se que grandes sonhos são grandemente inalcançáveis.
Temos medo de desistir, muito, tentamos evitar, até percebermos que nem sempre desistir remete à falha, pelo menos quando já sabemos que ninguém mais conta conosco, e que já não temos mais no que errar. As coisas acontecem de maneira simples. Com o tempo as pessoas somem, a cada noite de Natal alguns aparecem, poucos; depois, já não há mais ninguém. Desistir não parece algo tão cruel afinal, é apenas o último passo de um caminho cansativo, talvez o legítimo ato de bondade que podemos fazer por nós mesmos. Esforçar-se demais por um objetivo, só tende à uma consequência: cansaço.
Nestes dias de tempestades, não se pode esquivar das águas; a caixa é sempre menor do que a imaginamos. Olhando de cima, somos apenas pequenos pontos amontoados em outros pequenos pontos, sonhando na verdade em apenas não desistir, em alcançar uma estrela infinita que nunca virá.
Temos medo de desistir, muito, tentamos evitar, até percebermos que nem sempre desistir remete à falha, pelo menos quando já sabemos que ninguém mais conta conosco, e que já não temos mais no que errar. As coisas acontecem de maneira simples. Com o tempo as pessoas somem, a cada noite de Natal alguns aparecem, poucos; depois, já não há mais ninguém. Desistir não parece algo tão cruel afinal, é apenas o último passo de um caminho cansativo, talvez o legítimo ato de bondade que podemos fazer por nós mesmos. Esforçar-se demais por um objetivo, só tende à uma consequência: cansaço.
Nestes dias de tempestades, não se pode esquivar das águas; a caixa é sempre menor do que a imaginamos. Olhando de cima, somos apenas pequenos pontos amontoados em outros pequenos pontos, sonhando na verdade em apenas não desistir, em alcançar uma estrela infinita que nunca virá.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
O Topo da Caixa
Quando eu era criança, costumava ouvir meu avô dizer que as pessoas são o que são. Nunca havia entendido a causa disso, até o dia em que descobri sua consequência. As pessoas fazem o que fazem, sempre baseadas em alguma razão, mesmo que eventualmente elas só queiram ser cruéis.
Em nossa maior parte do tempo, desperdiçamos o tempo agindo como idiotas, ou lendo um romance de outono. Lutamos, não pela vitória, mas para não ser derrotados, tentamos ser felizes, não pela felicidade, apenas para não deixarmos de tentar ser felizes. Evitamos desistir, porque no fundo sabemos que para desistir podemos encontrar infinitos motivos, mas no final apenas um significado: falhamos no que deveríamos ter feito.
A rodovia pode levar a muitos caminhos, mas quando se quer chegar ao topo da caixa (e todos querem), não existem escadas, não existem degraus, somente pessoas subindo em cima de pessoas; porque, no final, as pessoas são o que são: pessoas; elas não podem ser melhores do que isso.
Em nossa maior parte do tempo, desperdiçamos o tempo agindo como idiotas, ou lendo um romance de outono. Lutamos, não pela vitória, mas para não ser derrotados, tentamos ser felizes, não pela felicidade, apenas para não deixarmos de tentar ser felizes. Evitamos desistir, porque no fundo sabemos que para desistir podemos encontrar infinitos motivos, mas no final apenas um significado: falhamos no que deveríamos ter feito.
A rodovia pode levar a muitos caminhos, mas quando se quer chegar ao topo da caixa (e todos querem), não existem escadas, não existem degraus, somente pessoas subindo em cima de pessoas; porque, no final, as pessoas são o que são: pessoas; elas não podem ser melhores do que isso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Medida de Medo
O mundo geralmente acontece à medida de uma série de eventos que não deveria acontecer. Meu avô sempre me dizia, que ao atravessar a rua, deve-se olhar para os dois lados. A vida, no entanto, é uma rodovia escura, com os faróis apagados, onde temos de caminhar sem saber ao certo o que virá, ou o impacto que eventualmente vamos receber.
Coisas acontecem. Tencionamos chamá-las de milagre ou de consequência. Seguimos esta rota vazia, onde simplesmente um dia despertamos numa vida que não deveria ser a nossa, amando alguém que não queríamos amar, sendo amado por quem não queríamos que nos amasse; e no final, cada ato extremo, cada demonstração pública de carinho, é apenas uma medida de medo, uma medida de conter a solidão.
Todas as grandes escolhas derivam de grandes dificuldades, não porque deve ser assim, mas apenas porque nos acostumamos a sempre olhar para os dois lados.
Coisas acontecem. Tencionamos chamá-las de milagre ou de consequência. Seguimos esta rota vazia, onde simplesmente um dia despertamos numa vida que não deveria ser a nossa, amando alguém que não queríamos amar, sendo amado por quem não queríamos que nos amasse; e no final, cada ato extremo, cada demonstração pública de carinho, é apenas uma medida de medo, uma medida de conter a solidão.
Todas as grandes escolhas derivam de grandes dificuldades, não porque deve ser assim, mas apenas porque nos acostumamos a sempre olhar para os dois lados.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Sintomas
Quando eu era mais jovem um médico me disse uma vez que a vida é um sintoma...
É difícil dizer quando ou como mudamos. Podemos usar um acontecimento ou o erro de alguém como desculpa para modificarmos o que por muito tempo queríamos que fosse diferente. As pessoas costumam mentir para si mesmas porque acreditam ser mais fácil que dizer a verdade para os outros.
O que nos torna fortes ou fracos na verdade não importa muito, talvez importe apenas o modo como lidamos com o inevitável; podemos alterar drasticamente o modo como nos repreendemos ou apenas sentar de roupão na varanda para o chá da tarde assistindo o armagedon.
Então é difícil dizer quando ou como mudamos. Em algum instante apenas deixamos de ser nós mesmos; permanecemos iguais, mas de um modo diferente, o que pode durar um segundo, ou para sempre. Alguns sabem o momento exato, outros jamais lembrarão. No fim, puxar ou empurrar não muda muito as coisas. O melhor que podemos fazer é manter esse sintoma, acompanhando os eventos que inevitavelmente nos levarão à doença que o causou.
É difícil dizer quando ou como mudamos. Podemos usar um acontecimento ou o erro de alguém como desculpa para modificarmos o que por muito tempo queríamos que fosse diferente. As pessoas costumam mentir para si mesmas porque acreditam ser mais fácil que dizer a verdade para os outros.
O que nos torna fortes ou fracos na verdade não importa muito, talvez importe apenas o modo como lidamos com o inevitável; podemos alterar drasticamente o modo como nos repreendemos ou apenas sentar de roupão na varanda para o chá da tarde assistindo o armagedon.
Então é difícil dizer quando ou como mudamos. Em algum instante apenas deixamos de ser nós mesmos; permanecemos iguais, mas de um modo diferente, o que pode durar um segundo, ou para sempre. Alguns sabem o momento exato, outros jamais lembrarão. No fim, puxar ou empurrar não muda muito as coisas. O melhor que podemos fazer é manter esse sintoma, acompanhando os eventos que inevitavelmente nos levarão à doença que o causou.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Dentro da Caixa
A vida age de acordo com um processo de eventos interessante. Em um momento você está planejando uma pescaria de domingo com os filhos, no outro, você descobre que não haverá domingo. Meu avô costumava dizer que quando uma coisa dá errada para alguém, é porque deu certo para outra pessoa.
O que rege exatamente a série de eventos que manipulam nossas vidas, no fundo não importa, nada disso é muito importante; o importante talvez seja o modo como tratamos nossas feridas. Podemos escondê-las, mascará-las, até mesmo saná-las causando dor em outras pessoas. No fim, quando colocamos tudo isto na caixa, nada importa muito, nada deveria importar, porque, como dizia meu avô, não há como fugir por muito tempo do que fizemos a nós mesmos.
O que rege exatamente a série de eventos que manipulam nossas vidas, no fundo não importa, nada disso é muito importante; o importante talvez seja o modo como tratamos nossas feridas. Podemos escondê-las, mascará-las, até mesmo saná-las causando dor em outras pessoas. No fim, quando colocamos tudo isto na caixa, nada importa muito, nada deveria importar, porque, como dizia meu avô, não há como fugir por muito tempo do que fizemos a nós mesmos.
Assinar:
Postagens (Atom)